Thursday, December 06, 2007

Eu acho que o que mais me assusta quanto à morte não é o acontecimento em si - realmente não. Claro que eu teria medo de morrer esquartejado, queimado, esmagado, afogado, essas coisas... É que eu estava aqui lendo a SUPER desse mes (adoro), mais precisamente na parte de tecnologia, e uma das reportagens era sobre como seria o mundo em 2017. Nada a ver com a morte. E é exatamente isso. O propósito de quase tudo que existe hoje no meu mundo ( e que não por acaso é também o mundo da grande maioria das pessoas que eu conheço) é fazer-nos esquecer dela, da impiedosa ceifadora de vidas... Moda, tecnologia, culinária, arte. Tudo resumido em afastar a morte das nossas cabeças, preencher os nossos tempos vagos com sonhos e vícios de modo que, ao menos nestes momentos, a gente possa ser feliz e se sentir vivo.
Pensar em não fazer parte do futuro high-tech, quando cirurgia plástica poderá ser feita em qualquer clinica de esquina, em não conhecer a patagonia, o himalaia e a nova zelândia e em não possuir o mais novo produto da apple, tudo isso é o que realmente me assusta. Ainda que possa parecer assim, tão superficial, é real. Eu preciso fazer parte do futuro, quero prestigiar a humanidade com suas eras e revoluções, mesmo as guerras. Eu sou um grande humanista.

Estranho, mas talvez seja toda essa inércia ansiosa que me carrega através das atualizações, tendências e planos construidos sobre possibilidades o que tem me feito sentir-me tão "sem vida". Consome tudo, inclusive o meu presente...

"Il faut être absolument moderne"
Arthur Rimbaud

Guilherme.