Monday, December 10, 2007

Hoje eu estava lendo a nova Veja, que tem como reportagem de capa os cem anos da imigração japonesa no Brasil. Ficou difícil conter as lágrimas aqui na biblioteca do colégio. Vendo os rostos quase familiares daquelas pessoas, lendo suas histórias comoventes, me lembrei da sensação de estar no Japão denovo, um lugar tão íntimo pra mim. É onde eu me sinto em casa, de alguma maneira. Eu nunca poderei me esquecer das minhas viagens com os meus pais japoneses (museus, festivais, templo, cidades, casas de parentes) e da vida tipicamente cultural que tive o privilegiado prazer, durante um ano, de levar. "Foi como um sonho", minha colega de intercâmbio canadense me disse (sobre como seria a sensação de o intercâmbio ter terminado), quando tinha acabado de retornar ao seu país ao término do intercâmbio. Eu também nao vejo outra maneira de descrever o sentimento de que tudo isso passou, que não estou mais em Niigata morando com aquelas pessoas maravilhosas. Foi como um sonho. É nostálgico, sem dúvida. Mas vai além disso: é uma mistura de agradecimento profundo com uma dor de perda, tudo isso expoenciado pela impressão de não ter aproveitado o suficiente (arrependimento, talvez). Quem sabe seja muita informação para quem nunca experienciou algo semelhante, mas o ponto é que não importa o que aconteça, meus doze meses no Japão foram os meses mais felizes da minha vida, e tudo que eu gostaria é voltar pra lá e ter uma vida plena e segura, organizada e descomplicada, feliz.
Não me sinto no direito de dizer o que vou dizer, porque sei da minha condição cultural, limitações linguisticas e tudo mais, mas eu me sinto japonês, e também me sinto estrangeiro em meu próprio país de origem. Sou japonês de coração, e é isso o que importa. Sou japones independentemente de não ter em minhas raízes (pelo menos as próximas) o sangue nipônico. Alguns chamam isso de contra-choque cultural. Eu, de aprendizado.


"Shiawase ha itsumo jibun no kokoro ga kimeru"
Pra buscar a felicidade eu sempre sigo o meu coração.

Saudades, Japão!