Friday, January 25, 2008

As vezes eu posso jurar que entendo as razões das minhas crises de pânico. Eu quase tenho certeza de que talvez essa seja a forma que a minha mente encontrou de mostrar para o meu coração que eu ainda estou vivo e que ainda me restam emoções e sensações - ainda que elas sejam medo, ansiedade, despersonalização, estresse, pânico.
A teoria é que eu sou tão internalizado e reservado emocionalmente que o meu coração deve ter se convencido de que se expressar ou reagir às emoções seja perturbador e ruim. Então, minha mente se obriga a articular outros mecanismos de escape para tanta coisa presa dentro de mim. E é aí que surgem as crises.

Eu estou longe de ser um drama-king - mesmo que possivelmente eu pareça ser um, justamente pelo conteúdo das minhas publicações. Na verdade o drama está em falta na minha vida, e a apatia sempre presente me ajuda em muitas situações, como escrever sobre coisas abstratas, tais como sensações e impressões, por exemplo. E nem importa se o assunto que eu vá discorrer seja eu mesmo. Funciona como se eu automaticamente me transportasse para outro plano, com uma visão de fora da minha vida, e admirasse, apenas admirasse (no sentido de observar), o que se passa ao meu redor, quase como aqueles filmes cujas historias se apresentam sob diversos pontos de vista. Não se faz necessário o uso de valores para os meus textos, já que eu escrevo apenas a apresentação dos fatos, pragmatizando inclusive as minhas pseudo-emoções. É como quando estudamos na escola os assuntos de mecânica, em física. Cinemática: descrever os movimentos sem se preocupar com as forças; "Assunto do meu texto": descrever a situação e pragmatizar mesmo os sentimentos, sem se preocupar com a essência.
Eu imagino que seja quase isso que passa pela cabeça de um psicopata. Mas como eu sinto medo dessa apatia toda e às vezes até consigo deixar cair uma lágrima, eu posso me excluir desse grupo.
Para escrever sobre qualquer coisa, eu introduzo e desenvolvo o assunto através do resgate da minha mente sobre tudo que eu já vi, ouvi e li sobre aquilo e, condensando essas informações e interligando-as, posso então concluir algo que faça algum sentido pelo menos pra mim. Evito pesquisar ou me inspirar, porque eu sinto que a originalidade da idéia se dissolve. Pura ignorância minha, eu sei... Mas eu prefiro assim.
Eu ja li em algum lugar que a atriz americana Winona Rider alegou que sofre de despersonalização e que isso a ajuda a atuar. Faz muito sentido. Quando você fica imparcial às suas emoções, fica muito mais facil interpretar e fingir naturalidade, fingir ser "um deles", assumir uma posição que não a real, escrever sobre o vento. Parece um dom, mas é um castigo na verdade, porque apesar de ser possivel ler a linguagem corporal alheia, estudar o comportamento das pessoas e copia-las com perfeição (para espanto dos espectadores), os despersonalizados não entendem o porque dessas reações e desses comportamentos, e isso os fazem sentir-se vazios, mortos, como se não conseguissem aproveitar a vida, como se fossem um produto humano falsificado, que parecem mas não são humanos. Sim, é bizarro. Acho que ninguém entenderá o que eu escrevi aqui, mas não importa. Eu entendo o que eu quis dizer e deve haver alguém que me entenda também perdido por aí.

Vou ficar sem computador por 4 meses, então acho que vou utilizar o velho e bom diario :-) Vamos ver quanto tempo eu aguento. Façam suas apostas!