Estou com muito medo da vida. Muito medo. Não exatamente de enfrentá-la (apesar do que isso também), e sim do que realmente ela pode ser.
Às vezes me parece tão claro que a vida na verdade não tem sentido algum, não tem nenhum objetivo e que não há nenhum responsável por ela e nem por nós. E se isso for verdade, estou perdendo um tempo precioso quando penso sobre isso. E eu penso muito sobre isso!
Eu não entendo tanta coisa e simplesmente não consigo engolir a tal "fé", que eu ouso descrever como o aceitamento incondicional e indireto de todo esse caos mundial que pode ser tão facilmente visto hoje, que geralmente é sustentado pela idéia de que isso tudo é fruto dos deuses e demônios ou ainda do destino. Me recuso. Sou sincero comigo mesmo, já que não preciso me enganar - eu sou o meu único advogado. Não estou dizendo que tudo isso é mentira, mas que se isso for verdade faltam provas que por direito universal teriam de ser me apresentadas. Afinal, que Deus privilegiaria a ignorância em detrimento da busca pelo entendimento???
Eu penso que se Deus quisesse que nós acreditássemos nEle, ele nos deixaria saber disso, no mínimo. Assim poderíamos de fato nos agarrar não em uma probabilidade, mas em uma certeza! Aí sim poderiamos ser submetido a um possível julgamento justo. Então o conceito de livre-arbítrio afinal faria algum sentido.
Eu tento imaginar o que leva as pessoas religiosas a ter certeza da existência de Deus... Será a sensação da presença dEle (que injustamente eu não teria)? Ou será tudo isso lógico e provado (e eu que ainda não entendi)?
Eu quero acreditar em uma força maior, preciso disso! É infinitamente mais reconfortante considerar essa possibilidade. Acontece que eu não quero que esse conforto, essa paz, seja uma desculpa para acreditar nEle, e que ocupe o lugar da verdadeira verdade.
(Verdade. Essa eu sei que existe...)
Foi com esse ponto de vista que iniciei esse post. O medo de a vida ser um acaso cósmico, um acerto perfeito de organização atômica, molecular, sistêmica. Apesar de muita coisa apontar o contrário (que tudo não é mero acaso), ainda tudo não passa de possibilidades, pelo menos para mim. E eu não procuro por possibilidades, procuro por uma única certeza, seja ela qual for.
Preciso parar de perder o tempo preciso da minha vida e aprender a vive-la, com ou sem Deus.
Sunday, February 17, 2008
às
5:29 AM