Saturday, August 23, 2008

Gays, não doem sangue!


Espero que entendam o que eu tenho a dizer. Me posiciono à favor da vida e inclusive sou estudante da área da saúde. Mas eu vejo que gays, proibidos legalmente de doar sangue, não devem mesmo o fazer. Eu seria suficientemente hipocrita se incentivasse gays a doarem sangue no Brasil e em todos os países que seguem a mesma linha. É como induzir um peru a comparecer à ceia de natal - simplesmente idiota.
Homossexuais são assassinados todos os dias neste país, direta e indiretamente. TODOS NÓS já fomos e ainda somos agredidos, em maior ou menor grau, de muitas formas - violência física e psicológica, agressões verbalizadas, discriminação implícita e explícita, dentro e fora de casa, segregação social... Muitos de nós nos sentimos contentados apenas pelo fato de estarmos empregados, ainda que em posições subestimadas. Há inclusive dados estatísticos dizendo que metade dos suicidas são homossexuais e que a homofobia foi decisiva na tomada de decisão por tirar a própria vida. Bom, eu não sei como alguns enxergam isso, mas eu vejo como ASSASSINATO. E não há sequer uma porra de lei federal que sugira que homofobia deva ser CRIME neste "país". E como se não bastasse, neste mesmo "país", há uma medida federal (sim, pra isso existe!) que nos proíbe de doar sangue, como se nosso sangue não fosse digno de salvar uma vida, ou fosse sujo e contaminante. Eu já doei sangue, e pra isso, obviamente, tive que mentir minha orientação sexual. Eu, de certa forma, infringi a lei pra ajudar a salvar uma vida, quem sabe mesmo a vida de um homofóbico. Muitos de nós [gays] já fizemos isso, já mentimos para doar sangue, ja escondemos parte dos nossos "eus", porque apesar da medida legal nos proibir de executar a doação, nós não nos sentimos justos em não doar - vai contra os princípios morais de muitos de nós -, o que é, no mínimo, uma antítese.
Pode soar cruel defender a não doação de sangue por parte de homossexuais, mas precisamos que fique explícito, gritante, que a nossa falta de contribuição faz falta. Precisamos impactar e aparecer nas estatítsicas de alguma forma que nos caracterize como cidadãos essenciais. Afinal, de qualquer forma há pessoas morrendo: gays, não seguros por parte de uma legislação falha e preconceituosa, e gente que precisa de sangue e virtualmente não pode o receber de homossexuais. É apenas uma questão de quem deve morrer primeiro.